segunda-feira, 9 de março de 2015

Paranaense na reta decisiva

Neste final de semana foi realizada a 8ª rodada do campeonato paranaense 2015. Fazendo um balanço geral da competição, podemos afirmar que, nos jogos que acompanhamos pela TV, o desempenho da turma da arbitragem foi muito bom. Salta aos olhos a evolução dos árbitros mais jovens,  que há cada ano mostram amadurecimento nas partidas. E não tem outro jeito. Experiência só se adquire apitando. Muitos derrotistas profetizaram que a arbitragem do Paraná seria uma catástrofe após a perda dos árbitros FIFA Evandro Roman e Heber Roberto Lopes. Claro que árbitros de nível internacional farão falta ao Paraná e a qualquer outro Estado. Veja as dificuldades que São Paulo enfrenta após a saída de Sálvio Spinolla, Paulo Cesar de Oliveira e Wilson Luis Seneme. Mas ao contrário do que se imaginava, essa transição foi relativamente tranquila. Hoje temos uma boa safra de novos árbitros, muitos dos quais fazendo parte do seleto grupo da CBF. Portanto,  as disputas seguem bem conduzidas dentro das quatro linhas, com os campeonatos transcorrendo na mais perfeita normalidade, dentro do padrão brasileiro de arbitragem, que infelizmente ainda está muito longe das principais escolas europeias.   O resto é choro de quem sempre chorou pois só consegue assistir jogos com o coração. Vejamos como foi a rodada.

ATLÉTICO X MALUCELLI    

Árbitro: Adriano Milczvski
Assistente 1: Rafael Trombeta
Assistente 2: Diogo Morais

O atual presidente da Associação dos Árbitros Profissionais do Estado do Paraná (APAF), fez uma ótima apresentação no último sábado. Experiente, acostumado aos grandes jogos do futebol paranaense, teve na parte técnica uma arbitragem irrepreensível. No aspecto disciplinar faltou alguma coisinha pra fechar com nota máxima. Sonegou alguns cartões amarelos, cite-se aos 23 minutos quando o atleta Cleo do Atlético Parananense deu uma carrinho temerário e ficou por isso mesmo. Por outro lado, exagerou na aplicação de advertências, como exemplo aos 24 minutos da etapa inicial. Nada que comprometesse sua atuação ao longo do jogo. Fisicamente mostrou boa performance, mostrando que  finalmente consegue  se manter  no peso adequado. Essa sempre foi sua luta, mas ao que tudo indica foi vencida pelo ótimo árbitro nos últimos anos. Esse é mais um daqueles injustiçados do apito paranaense, que serve para apitar inclusive finais envolvendo a dupla Atletiba, mas ultimamente não serve para apitar sequer a segunda divisão do campeonato brasileiro. Pura política. Os assistentes tiveram uma atuação impecável sem quaisquer erros. Jogo de baixa dificuldade.

RIO BRANCO X PARANÁ    

Árbitro: Selmo Pedro dos Anjos Neto
Assistente 1: Marcelo Pavana
Assistente 2: Leandro Luiz Zeni

Selmo Pedro dos Anjos Neto é na minha opinião o melhor árbitro do futebol paranaense. Diga-se de passagem, figurou no sorteio da grande final do ano passado mas perdeu para Fábio Filipus, que naquela oportunidade teve um ótimo desempenho. Neste jogo no litoral do Estado, o árbitro manteve sua média de ótimas atuações. No aspecto técnico sua atuação foi muito próxima da perfeição. No aspecto disciplinar cometeu alguns equívocos, deixando de aplicar as advertências necessárias  aos 11 e 17 minutos do primeiro tempo. Jamais perde o controle do jogo e ontem não foi diferente. Se faz respeitar naturalmente e permite que o jogo flua sem interrupções desnecessárias, bem diferente de outros tempos em que se escondia atrás do apito. É um atleta na acepção da palavra, ex-jogador, talvez a característica que lhe permite fazer uma leitura adequada do jogo. Lamentavelmente, não figura na lista de árbitros que pertencem ao quadro nacional pelo requisito etário. Na prática, colocaria a maioria no bolso numa avaliação física, independentemente da idade dos candidatos. Seria ele e mais nove. Os assistentes tiveram uma boa atuação, com exceção de um lance ocorrido aos 9 minutos do segundo tempo em que o assistente 2, Leandro Luiz Zeni, errou  lance de impedimento de forma grosseira.    Jogo de baixa dificuldade.

Foto - Selmo Pedro dos Anjos Neto (ao centro)



CORITIBA X LONDRINA    

Árbitro: Fábio Filipus
Assistente 1: Victor Hugo Imazu dos Santos
Assistente 2: Sidmar dos Santos Meurer

O excelente árbitro Fábio Filipus foi o encarregado de conduzir o jogo mais problemático do futebol paranaense dos últimos tempos. A história desses confrontos tem deixado aberto uma ferida que nunca cicatriza. E a cada jogo aparece um novo árbitro candidato ao freezer do meu amigo londrinense Afonso Vitor de Oliveira.  Hoje está cancelada a caminhada pelo  calçadão de Londrina. E olha que nesse freezer tem escudo FIFA, aspirante a FIFA, CBF, FPF, etc. Pelo jeito o jovem Fábio Filipus é mais um candidato a figurar na lista dos proibidos pra Londrina. E se isso acontecer será injustamente, principalmente pelo alvo principal da reclamação do Londrina, o tiro penal assinalado a favor do Coritiba. Tiro penal claríssimo.  Todavia, confesso que esperava mais na parte disciplinar. Tivemos vários lances em que o árbitro deveria agir de forma mais incisiva, mostrando-se presente fisicamente  e advetindo os atletas sem hesitar, despreocupando-se com o balanço final de cartões apresentados. Tem jogos que não tem jeito. Ou coloca pra fora ou se perde o controle dá partida. Teve atleta chutando a bola contra o adversário já com o jogo paralisado, divididas temerárias sem cartão, mão no rosto, tentativa de soco em jogadas divididas, enfim, a regra era sempre buscar atingir o adversário nas disputas de bola. E também as encenações do Negueba, que a todo instante se atira ao chão simulando infrações. Esse é o tipo de jogo que não poderia acabar com 22 jogadores. Sobrou motivos para expulsar de dois a três atletas. O jogo ficou no limite pra descambar pra pancadaria geral. Em certos momentos ficou evidenciado a perda de controle por parte do árbitro, que desestabilizou-se a ponto de aplicar cartão para atleta errado em lance absolutamente claro. Foi alertado e corrigiu. Os dois assistentes fizeram um excelente trabalho, com mais destaque para o assistente 2 que foi muito exigido em relação a regra 11 e acertou todas. Arbitragem que ficou devendo no aspecto disciplinar,  num jogo de média dificuldade.

quarta-feira, 4 de março de 2015

FORMAÇÃO DOS ÁRBITROS

A formação dos árbitros tem sido uma prioridade para o Comitê de Árbitros da UEFA  durante a realização dos cursos de inverno da UEFA em Atenas.

Aos árbitros são dados alguns conselhos muito valiosos em termos  técnicos, com sessões  práticas e testes, todos elaborados para ajudar os árbitros a continuar a atingir os níveis que fizeram com que os árbitros europeus fossem respeitados em todo o mundo.

"Precisamos garantir que os árbitros da UEFA tenham a melhor formação possível em seu desenvolvimento", disse o árbitro oficial da UEFA Hugh Dallas, que, com o seu companheiro de Comité de Arbitragem Vladimir Sajn,  têm ensinado no 23º Curso Avançado Árbitro Elite e no Curso Introdutório para 24 Internacional de Arbitragem da UEFA.

Um teste importante que os árbitros passarm nos cursos da UEFA é um teste sobre as Leis do Jogo. "Nós pensamos que este teste é particularmente importante para os novos árbitros no curso introdutório, porque é a primeira vez que irão enfrentá-lo. Eles são responsáveis ​​por proteger as Leis do Jogo no campo, por isso eles têm de saber o que diz as regras. Nós também encorajamos as federações nacionais para analisar os árbitros sobre as leis do jogo, porque de vez em quando coisas  incomuns acontecem ", disse Dallas.

"A lei mais importante não está escrita, e é chamada de 'Lei 18'. Este é o senso comum. Um árbitro pode ter um grande conhecimento e entender as leis, mas aplicá-las de maneira correta requer habilidade".

São realizadas periodicamente trabalhos para produzir vídeos que mostrem aos árbitros  análises de incidentes e decisões nos jogos, e que expliquem as potenciais tendências que os árbitros precisam considerar. Aos próprios árbitros se pede um feedback em reuniões como parte de todo o processo.

Os lances selecionados são das nossas principais competições, a UEFA Champions League, UEFA Europa League e Campeonato da Europa. "Nós temos uma rede de observadores por toda Europa assistindo partidas para nós e seu papel é o de destacar os lances mais importantes. Os relatórios dos observadores também são estudadas para encontrar outros lances", disse Dallas.

"Então, nós selecionamos o que tem de mais interessante para uso nas sessões técnicas. Depois em nossos seminários e  o material é distribuído às federações nacionais para uso na formação arbitral em todos os níveis, com o objetivo principal de conseguir um enfoque coerente e similar das leis nas competições nacionais também ."

Uma tomada firme de decisão é um dos grandes objectivos do Comitê de Árbitros da UEFA,  e as provas em vídeo podem ajudar a alcançar este objectivo. "Por exemplo, espera-se que um árbitro de Portugal tenha a mesma opinião quando julgar uma falta dura que um árbitro na Polônia. É o ideal para que os clubes que estão competindo em torneios tenham  a aplicação das regras de forma coerente, sem se importar de qual parte da Europa vem do árbitro ", disse Dallas.

"Analisamos as tendências em nossas competições de alto nível, e alertamos os árbitros sobre elas. Por exemplo, temos percebido ultimamente uma tendência a usar os braços ilegalmente para segurar um adversário. Temos que conscientizar os árbitros sobre isso, para que eles possas se posicionar de forma adequada e identificar a infração, acrescentou. Outros assuntos discutidos nas sessões em Atenas foram sobre impedimento, mãos, aplicação da lei da vantagem e preparação para a cobrança de tiros livres.

Dallas, Sajn e seus colegas têm uma grande cuidado com os recém-chegados à lista de FIFA que frequentam o curso introdutório como batismo no mundo da arbitragem da UEFA. Eles recebem instruções sobre o trabalho dos observadores que os avaliam em competições da UEFA, e é explicado a importância de seguir as diretrizes da UEFA.

"A capacidade de gestão de uma partida é uma habilidade muito importante para os jovens árbitros. Nós encorajamos eles para se comunicarem  com os jogadores, ajudando-os a admininistrar quando ocorre uma briga no campo, lidando com jogadores sem ter que mostrar um cartão imediatamente. Se você acha que pode ter uma palavra amável com um jogador, muito melhor, porque as pessoas querem que os futebolistas estejam jogando em campo e não sentados na arquibancada ", disse Dallas.

Também se avalia o conhecimento de inglês dos jovens árbitros, o idioma da arbitragem da UEFA, durante alguns debates informais com membros do Comitê de Árbitros. "Se ocorre um incidente grave durante uma partida, é de vital importância  que um árbitro possa se comunicar com precisão com o delegado partida, o diretor e, possivelmente depois com o comité de controle e disciplina, por isso é importante que possam expressar-se  adequadamente em Inglês. "

Dallas e seus companheiros têm grande satisfação nos seus  papéis na formação de árbitros, e colocam  suas vastas experiências e conhecimentos a serviço dos árbitros de hoje em dia. "Eu me lembro quando era um jovem árbitro e sentei numa sala e com alguns árbitros que admirava; pessoas que ensina não só como ser um árbitro do mais alto nível, mas também como ser um grande instrutor. Aprendemos com eles e podemos usar o que aprendemos para ensinar aos outros mais tarde ", lembrou.

"Dá uma grande satisfação ver árbitros que você começa a orientar em torneios juvenis da UEFA Champions League e, posteriormente, vendo-os apitar em grandes torneios. Você sente que tem alguma influência sobre o seu sucesso", disse ele.


Fonte: UEFA

segunda-feira, 2 de março de 2015

6ª Rodada

A sexta rodada do campeonato paranaense 2015 foi iniciada na quinta feira  e  concluída no domingo. No geral não tivemos grandes problemas para a turma do apito nos jogos televisionados. Vejamos.

ATLÉTICO PR. x FOZ DO IGUAÇU

Árbitro: Leandro Barros Nunes
Assistente 1: Luiz Henrique de Souza S. Renesto
Assistente 2: Marcos Rogério da Silva

Na grande surpresa da rodada, a equipe da fronteira acabou vencendo o Atlético em plena arena da baixada. O trabalho desenvolvido pela equipe de arbitragem foi muito bom. Leandro Barros Nunes, jovem talento de uma excelente safra de 2010,  teve um ótimo desempenho tanto na parte disciplinar como na parte técnica. A rigor,  seu único equívoco de maior gravidade foi não mostrar cartão amarelo para o zagueiro Gustavo do Atlético Paranaense, que atingiu seu adversário no tornozelo num carrinho temerário. No mais, manteve o controle do jogo durante os 90  minutos, num jogo de baixo grau de dificuldade. Seus assistentes passaram com nota máxima sem cometerem quaisquer erros, muito embora tenham sido pouco exigidos, em especial na sua principal atribuição, o impedimento. 

PARANÁ CLUBE x NACIONAL

Árbitro: Everaldo Lambert Modesto
Assistente 1: Luciano Roggenbaum
Assistente 2: Giovani Marcos Matielo

O bom e experiente árbitro, dotado de personalidade muito forte, começou o jogo cometendo o equívoco de segurar o cartão amarelo a todo custo. A velha mania de tentar adivinhar o final do filme sem assistir. A quantidade de advertências e o número de faltas do jogo, deverão refletir a realidade da partida, não cabendo ao árbitro fazer vistas grossas para reduzir esse número a fórceps. Com 7 minutos de jogo, o atleta do Nacional, sem condições de disputar a bola, simplesmente agarrou seu adversário de forma acintosa, parecendo golpe de judô, cometendo uma falta tática para impedi-lo de obter a posse da mesma. E nada de cartão. Logo em seguida, o assistente 2 sinaliza uma infração corretamente e o árbitro simplesmente ignora a marcação. Aos 14 minutos o atleta do Nacional dá um carrinho temerário e nada de amarelo. Aos 20 minutos o zagueiro do Paraná interrompe um ataque promissor e novamente o cartão fica esquecido no bolso. Finalmente aos 33 minutos surge o primeiro cartão amarelo para o atleta do Nacional,  sob a alegação de persistir no cometimento de faltas, ou seja, pelo conjunto da obra. A partir desse momento o árbitro acordou e mudou completamente sua postura, passando a advertir os atletas faltosos, e o fez corretamente aos 35, 44 e 45 da etapa inicial. Demorou muito correndo o risco de perder o controle da partida. Com 30 segundo da etapa final novamente tivemos lance pra cartão amarelo. E assim seguiu o jogo até o seu final com cartões bem e mal aplicados. Não dá pra dizer que arbitragem foi boa no aspecto disciplinar. Já no aspecto técnico a arbitragem foi muito boa, com alguns pequenos deslizes sem muita repercussão. Apenas para registro, o procedimento para cobrança do tiro de canto não foi alterado, devendo ser cobrado no quarto de círculo mais próximo do local onde a bola ultrapassar a linha de meta. Aos 19 minutos do primeiro tempo, a bola claramente saiu pelo lado esquerdo do goleiro, sendo que a cobrança foi efetuada no lado direito do goleiro. A equipe do Parana teve um gol mal anulado em razão do toque de mão do atacante. Digo isso porque não houve qualquer intenção do atacante em atingir voluntariamente a bola com a mão  e sequer agiu de forma irresponsável ampliando a área corporal mediante abertura dos braços.  A bola chega de uma distância curta após o goleiro espalmá-la num cruzamento (bola que chega de forma inesperada); a distância entre a bola e atacante é curta e não existe o movimento da mão em direção a bola mas sim da bola em direção a mão. Finalmente, o movimento dos braços é totalmente natural. É óbvio que pelas circunstâncias a anulação jamais será contestada, e a decisão de anular o gol acaba trazendo menos problemas que sua confirmação. Acredito que 90% dos árbitros agiria da mesma forma. Tudo isso é compreensível. Mas a luz da regra do jogo o gol foi legal. Observem a sequencia de fotos abaixo. Não se compara ao vídeo mas podemos ter uma ideia do lance. Os assistentes tiveram um ótimo desempenho sem quaisquer erros significativos. Arbitragem satisfatória num jogo de média dificuldade.

Foto 1 - Após o cruzamento goleiro espalma a bola em direção do atacante





















Foto 2 - Bola se choca na mão do jogador do Paraná e os braços estão em movimento natural








Foto 3 - A bola vai em direção a mão e não a mão em direção a bola (bola inesperada)



PRUDENTÓPOLIS x CORITIBA

Árbitro: Edivaldo Elias da Silva
Assistente 1: Moisés Aparecido de Souza
Assistente 2: Diego Grubba Schitkovski

Esse jogo me fez lembrar um velho filme de faroeste chamado "Pague pra entrar e reze pra sair". Não me recordo de um jogo que tenha demorado tanto pra acabar. Jogo de baixíssimo nível técnico, o que normalmente espirra na arbitragem, pois via regra quando o jogo é ruim tudo acaba ficando ruim. E vice versa em relação aos bons jogos. Mas nesse caso, a arbitragem teve um ótimo desempenho num jogo em que a bola era apenas um pequeno detalhe. Tanto no aspecto técnico como no disciplinar a arbitragem acertou em praticamente todas as tomadas de decisões. Os assistentes estiveram no mesmo ritmo. Somente nos últimos 5 minutos que o experiente Edivaldo Elias resolveu apitar a moda antiga, paralisando o jogo sem necessidade, o que não chegou a comprometer o trabalho como um todo. Ótima arbitragem em algo parecido com jogo de futebol. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ENTREVISTA COM LEONARDO GACIBA



Dando sequência ao nosso ciclo de entrevistas com árbitros que marcaram história no futebol brasileiro, hoje vamos bater um papo com Leonardo Gaciba, árbitro gaúcho que pertenceu aos quadros da FIFA, eleito por quatro vezes o melhor árbitro do futebol brasileiro e que atualmente é comentarista de arbitragem da Rede Globo de Televisão.

Gaciba, fale um pouco sobre sua carreira e o que motivou a ser árbitro de futebol.

Meu começo como árbitro foi no Handebol, esporte que praticava na época. Como participava de uma equipe de arbitragem comecei a apitar diversas modalidades. Até que veio um convite para atuar na Associação Colonial de Pelotas, um campeonato amador muito forte na minha terra natal, Pelotas. Terminei o ano escalado na final e comecei acreditar que levava jeito para coisa. Tinha 18 anos e 2 anos depois já apitava a segunda divisão profissional Gaúcha. Em 1994 estreio no Gaúcho e em 1994 entro na CBF. Depois de 10 temporadas sou promovido ao quadro da FIFA onde permaneci por 4 anos. Em Novembro de 2010 deixo os campos depois de 22 anos dedicados ao apito.

Cite os momentos mais marcantes em sua carreira; o jogo inesquecível, aquele que você considera o mais difícil, etc.

Acredito que todos os jogos são importantes em momentos específicos da carreira de um árbitro. O primeiro profissional, o primeiro jogo na primeira divisão, a estreia no Brasileirão, libertadores, eliminatórias etc tudo alisei tempo teve grande importância! Finais marcam muito mas creio que os jogos mais difíceis sempre são os clássicos de seu estado de origem; no meu caso, os Grenais!

Gaciba, não posso deixar de perguntar. Você protagonizou um lance inusitado em nosso Estado no jogo Coritiba x Santos, marcando tiro livre indireto e advertindo o atleta Jabá do Coritiba no momento em que ele parou na frente do adversário e começou a passar o pé sobre a bola. Qual foi sua interpretação do lance? Se fosse hoje faria diferente?

Essa cena marcou muito o início de minha carreira no Brasil. Tem gente que até hoje fala que expulsei ou dei cartão para o Jabá, o que não é verdade. A verdade é que apitei o indireto para proteger o jogador. Naquele ano (2000) o Santos tinha uma grande equipe e saiu vencendo o Coritiba por 2x0 no Couto Pereira. Jabá entra e muda o jogo colaborando muito para uma virada sensacional para 4x2. Já no final do jogo sobre gritos de olé, Jabá pega a bola na lateral e começa a passar o pé por cima da bola como que chamando a marcação. Jogador de futebol não tolera essa atitude de desrespeito ao adversário. Um zagueiro do Santos estava ao meu lado e disse que iria quebrar a perna do Jabá. Quando ele começa a correr apito para evitar uma confusão. No campo, deu certo. Todos entenderam meu intuito é o jogo acabou sem conflito. Infelizmente a imprensa não entendeu igual aos atletas e divulgou que Garrincha não jogaria comigo apitando. Fazer o que? Será que seria mais legal deixar ele tomar o pontapé? Talvez hoje marcaria um indireto contra o defensor! Realmente não sei foi muito inusitado...

Em sua opinião, em que estágio está a arbitragem brasileira?

Creio que a arbitragem Brasileira está no mesmo estágio de nossa seleção. É jovem e em evolução. A renovação está muito rápida e isso dificulta a formação de novos talentos.

Você vê o surgimento de novos árbitros?

Conforme disse na resposta anterior, sim, mas creio que o tempo de maturação está sendo acelerado e isso cobra um preço alto!

Que dicas você deixa para a nova geração da arbitragem brasileira?

Sejam vocês mesmo! Por mais que a arbitragem requeira disciplina, árbitro robô tem carreira curta. Personalidade é fundamental!

Qual a sua opinião a respeito da profissionalização da arbitragem?

Sou a favor mas quem será o pau da criança? Quanto tempo será o contrato? Como investir em uma carreira que tem um mercado único com a incerteza de um amanhã? E aos 45 anos? O que farão os profissionais?

Qual a sua opinião sobre o fim dos árbitros assistentes adicionais?

Aqui não colou! Pouca gente está sentindo falta. Creio que a ideia é boa mas se eu fosse o legislador daria uma bandeira para eles mostrarem o que marcam. Do jeito que está parece que estão ali somente olhando o jogo.

Fale sobre seu novo trabalho: comentarista de arbitragem da Rede Globo de Televisão.

Gosto muito do que faço. É muito gratificante seguir trabalhando com a minha paixão; a arbitragem. Hoje sou pedra, não mais vidraça! Mudei de lado mas, não de convicções! Procuro analisar os profissionais em suas atuações sem ser depreciativo. Não falo dos homens, falo dos árbitros e, sempre que possível procuro colocar o grau de dificuldade da decisão, afinal, só que já pisou no verde sabe o quão difícil é dirigir a maior paixão do Brasileiro.

















quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Árbitro assistente adicional - AAA - ruim com ele, pior sem

A Confederação Brasileira de Futebol - CBF, optou por não mais utilizar o árbitro assistente adicional (AAA) nas competições nacionais (série A e fases decisivas da Copa do Brasil). Seguiram no mesmo caminho as federações estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Desconheço outras federações que utilizavam mas possivelmente existam.  Não tenho a menor dúvida de afirmar que a decisão é eminentemente financeira, como de costume acontece quando se trata de dinheiro aplicado na arbitragem, reconhecido equivocadamente como despesa e não como investimento.

Um dos aspectos que certamente contribuiu para o encerramento da  participação dos AAAs foram alguns erros grosseiros cometidos. Um deles, bastante difundido na imprensa,  acarretou na conquista do título carioca em 2014. Tenho comigo que a experiencia foi mal conduzida e os erros pontuais acabaram minando mais essa ferramenta útil para arbitragem brasileira.

Para o sucesso da função de AAA, é necessário um treinamento continuado   até atingir um nível similar ao que acompanhamos nas competições europeias. Ademais, cometeram o equívoco de colocarem árbitros que, apesar de ocuparem classificação de destaque no ranking nacional, estavam visivelmente deslocados no exercício da função. O exemplo emblemático é do  árbitro FIFA Ricardo Marques Ribeiro, que não conseguiu visualizar o gol marcado pela equipe do Goiás no campeonato brasileiro de 2014.

E nem poderia na posição em que se encontrava no momento em que a bola cruza a linha fatal. Na verdade, muito embora faça parte da elite brasileira do apito, o que pressupõe alta qualificação, acabou errando em razão de não estar ambientado com a nova função, cometendo erros primários de deslocamento e posicionamento. Não tem culpa. Não estava acostumado ao exercício da função. Fez lembrar outros tempos em que os árbitros sulamericanos trabalhavam como árbitro num jogo e no dia seguinte atuavam como assistente, muitas vezes em país vizinho. Era totalmente desarrazoado. Um desastre total. 

Por outro lado, aqueles que atuavam como árbitro assistente adicional com certa frequência, conseguiam resultados muito satisfatórios no trabalho em equipe.  Mas talvez aí resida o grande e talvez decisivo fator que fulminou o AAA. Não existe percepção visual ou auditiva do  trabalho. Tudo que realiza fica restrito internamente nas comunicações entre a equipe de arbitragem durante o jogo.

Apesar de inexistir qualquer estatística a respeito, não tenho dúvidas de afirmar que inúmeras decisões importantes foram tomadas com as informações prestadas pelos AAAs, mas que infelizmente acabavam não chegando ao conhecimento da mídia, quiçá da Comissão de Arbitragem.

Apesar de ser letra morta daqui pra frente, vejamos os deveres que ainda constam na regras do futebol, edição nacional 2014/15 (páginas 120/122):

Os árbitros assistentes adicionais, sempre submetidos á decisão do árbitro principal, devem indicar:

1. se a bola saiu completamente do campo e pela linha de meta;
2. se houve um tiro de canto ou um tiro de meta;
3. as infrações e outros incidentes ocorridos fora do campo visual do árbitro;
4. as infrações que possam ver melhor do que o árbitro, sobretudo as que ocorram dentro da área penal. 
5. se, nas cobranças de pênaltis, o goleiro se adianta antes da bola ser chutada e se a bola ultrapassou a linha de meta.

E o principal:  

Os árbitros assistentes adicionais ajudarão o árbitro a dirigir a partida de acordo com as regras do jogo, porém sempre cabendo ao árbitro tomar a decisão definitiva.

O motivo da preocupação em relação ao futuro, é que sequer completamos um mês de competições estaduais e já podemos perceber que a ausência do árbitro assistente adicional permitiu que muitos lances irregulares acontecessem sem a percepção da equipe de arbitragem, em situações de jogo que haveria enorme possibilidade de intervenção satisfatória do AAA.

Faço uma pequena relação de lances cujas decisões foram equivocadas e que cada um tire suas conclusões:  

1. Os dois tiros penais marcados a favor do Corinthians x Botafogo de Ribeirão Preto.
2. A bola que não entrou no jogo do Internacional x Caxias e que decidiu o jogo;
3. O toque com a mão do zagueiro do Nova Iguaçu contra o Botafogo (o atacante estava impedido);
4. A bola que não entrou no jogo do Flamengo x Madureira;
5. A bola que entrou no jogo Nacional x Coritiba;
6. O tiro penal inexistente no jogo Santos x Portuguesa;
7. O tiro penal marcado equivocadamente no jogo Cruzeiro RS x Internacional (bola bate no peito)

Essa é uma pequena amostra de lances que  aconteceram nos últimos dias e puxamos pela memória, mas certamente o número é infinitamente maior. Muitos poderão dizer que mesmo com a intervenção do AAA muitas dessas decisões permaneceriam. Concordo. Mas também não podemos descartar a possibilidade infinitamente maior de correção desses equívocos caso existisse o AAA.

Sem o sistema de detectação automática de gols (DAG), acredito que a solução humana ainda é factível e torço para que a posição inicial seja revista com o retorno dos AAAs.  Até lá teremos problemas ainda maiores que nos anos anteriores. Podem conferir e depois me cobrem.  A solução definitiva passa pelo auxílio tecnológico com paralisações pontuais  em lances decisivos e consulta ao vídeo por pessoa previamente designada pela Comissão de Arbitragem, o que poderíamos chamar de árbitro assistente virtual. É o futuro cada vez mais presente.

Nota

No blog de sexta feira (27/02/15), publicaremos entrevista com o ex-árbitro FIFA Leonardo Gaciba, atualmente comentarista de arbitragem da Rede Globo de Televisão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Rodada de ATLETIBA

No final de semana tivemos a realização da 5ª rodada do campeonato paranaense, com destaque para o clássico Coritiba x Atlético. Todos sabem que o ATLETIBA é um divisor de águas na carreira de qualquer árbitro de nosso estado. Passar por esse teste implica no batismo final da carreira a nível estadual, passando o árbitro a compor um seleto grupo de profissionais habilitados a dirigir quaisquer jogos estaduais. E nesse caso específico a escala reflete mérito pessoal, e não por influência de fatores externos como vivenciado no Paraná num passado negro que merece ser esquecido. Vejamos como foi a rodada.

MARINGÁ X PARANÁ CLUBE

Árbitro:  Fábio Marcos Zocante
Assistente 1: Daniel Cotrim de Carvalho
Assistente 2: Marcelo Pavan

Debaixo de um sol escaldante, o jovem árbitro comandou um jogo com prenúncio de dificuldades pela situação das equipes na classificação da competição. Foi uma partida repleta de grandes decisões, aumentando em muito o grau de dificuldade. No primeiro tempo seu desempenho foi praticamente perfeito com pequenos erros totalmente desprezíveis. Já no segundo tempo, parece que começou a faltar gás, principalmente na segunda metade da etapa final, apresentando enorme dificuldade de aproximação nas jogadas de velocidade.  E a falta de melhor condicionamento físico acabou interferindo no desempenho do árbitro que mudou completamente sua leitura dos lances, passando a sancionar faltas inexistentes, situação típica de quem está exaurido fisicamente. Pior que sequer tivemos a parada para hidratação em ambos os tempos. Disciplinarmente, entendo que o atleta do Maringá foi bem expulso por dupla advertência, porém faltou um cartão vermelho para o atleta Barcos do Maringá aos 46 minutos da etapa final numa entrada violenta que visou apenas atingir seu adversário. No geral, as advertências foram bem aplicadas, exagerando em um outro cartão, assim como deixando de usá-lo em uma ou duas oportunidades. Tecnicamente se houve bem até a metade do segundo tempo, quando mudou sua postura completamente conforme dito anteriormente. De todos os supostos tiros penais reclamados, somente no lance ocorrido aos 25 minutos do segundo tempo, favorável ao Paraná Clube, restou claro que houve a infração cometida pelo defensor do Maringá ao atingir o atleta adversário com uma rasteira.  Nas demais situações de supostos tiros penais reclamados,  ratifico as interpretações do árbitro. Imagem de TV precisa ser filtrada. Em câmera lenta todo toque de mão parece intencional, assim como qualquer braço nas costas parece carga faltosa. O assistente 1 teve um ótimo desempenho, acertando em praticamente todas as marcações relativas a regra 11, com exceção da indicação ocorrida aos 10 minutos do primeiro tempo. Foi muito bem aos 38 minutos do segundo tempo,  ao indicar que a infração foi cometida fora da área penal em lance de extrema dificuldade. Belo trabalho em equipe nesse lance. O assistente 2 foi menos exigido, mas acertou  nas suas marcações. O assistente 2 cometeu um equívoco que já vimos nesse campeonato e parece que existe um desconhecimento total da regra do jogo. Após uma dividida, o atleta do Maringá caiu fora do campo de jogo próximo a linha de meta, permanecendo a bola em jogo. Equivocadamente, o assistente se deslocou normalmente buscando a linha do penúltimo defensor, desconsiderando esse atleta caído, quando o correto seria considerá-lo como participante ativo do jogo,  posicionado sobre a linha de meta, até a próxima paralisação do jogo. No geral foi uma arbitragem satisfatória num jogo de média dificuldade. 
   
CORITIBA X ATLÉTICO

Árbitro:  Rafael Traci
Assistente 1: Adair Carlos Mondini
Assistente 2: Jeferson Cleiton Silva da Piva

Se o ATLETIBA é o batismo de qualquer árbitro no Paraná, Rafael Traci mostrou que definitivamente está pronto para alçar voos ainda maiores. É um árbitro preparado para atuar em quaisquer jogos a nível nacional, dentro de um crescimento acompanhado  e orientado a que todo árbitro deve submeter-se, além da famosa experiência que somente será adquirida ao longo dos anos. Teve uma atuação de gala, titubeando um pouquinho no início do jogo ao permitir algumas entradas mais duras, sem interferir, mas retomou imediatamente o controle da partida e  conduziu com tranquilidade até o final. Os assistentes foram bastante exigidos em relação a regra 11, com diversos lances de difícil interpretação. O assistente 2,  que foi galgado ao quadro nacional esse ano, teve um desempenho muito bom, errando em apenas uma marcação de impedimento. Já o assistente 2, mais experiente, acertou em quase todas as marcações, mas infelizmente não conseguiu visualizar o impedimento ocorrido no segundo gol do Coritiba. Lance de alto grau de dificuldade pois é necessária uma excelente visão periférica para determinar o exato momento em que a bola é tocada na cobrança do tiro livre livre, e a posição dos atletas do Coritiba. Tanto Lucas Claro como Leandro Almeida estavam em posição de impedimento no momento do cruzamento. Houve participação ativa de ambos, seja inferindo no jogo (Leandro Almeida cabeceia a bola), seja interferindo no adversário (Lucas Claro também disputa a bola com o zagueiro).  Confiram na sequência de fotos abaixo.  Ótima arbitragem em jogo de baixa dificuldade.

Foto 1 - Imagem central



Foto 2 - Imagem lateral



Nota


A Comissão de arbitragem escalou um árbitro assistente reserva (Maurício José Braga). Durante todo jogo permaneceu controlando e agindo como quarto árbitro junto a área técnica do Coritiba. Um árbitro assistente reserva quando designado, terá o único dever de substituir um árbitro assistente que não tenha condições de continuar no jogo ou substituir o quarto árbitro se for o caso. Não sou eu que digo. Está expressamente determinado nas regras do jogo. Fez o que lhe foi pedido. Não tem culpa. Foi mal orientado.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Entendendo o jogo - o futuro chegou

O artigo que transcrevemos  abaixo foi extraído do site da UEFA, após o último encontro da arbitragem européia realizado em Atenas na Grécia. Representa a visão moderna da preparação dos árbitros de futebol. A  ideia é que o futebol evoluiu de tal forma que não existe mais espaço para o árbitro desinformado, aquele que se limita a treinar fisicamente, atualiza-se nas questões de ordem técnica e segue  para o estádio desconhecendo aspectos táticos das equipes envolvidas na partida.  O texto original está em espanhol e traduzimos para o português com as adaptações necessárias para melhor entendimento.

UEFA ALERTA OS ÁRBITROS PARA QUE CONHEÇAM A FORMA DE JOGAR DAS EQUIPES

Em relação aos melhores árbitros da atualidade, não se espera que sejam apenas bons administradores de um jogo de futebol, mas também devemos  incentivá-los a aprender tudo sobre os times e jogadores nas partidas que irão arbitrar em todo país.

No 23º Curso Avançado para Árbitros de Elite da UEFA e 24º Curso Introdutório para Árbitros Internacionais, realizado em Atenas, a UEFA está dando especial ênfase para que os árbitros recorram as informações sobre as táticas das equipes e a forma de jogar dos atletas em campo.

"Se estudar as táticas das equipes e as características individuais dos jogadores, podem estar um passo à frente para tomar decisões em diferentes situações da partida", disse o chefe de arbitragem da UEFA Pierluigi Collina, numa apresentação em Atenas no início da semana. A preparação de um árbitro está se tornando cada vez mais importante no futebol de hoje em dia.


O chefe dos oficiais técnicos da UEFA, Ioan Lupescu, foi à Grécia para contar sua própria experiência sobre a importância  dos árbitros aprenderem como jogam as equipes para melhorar suas próprias atuações.

Lupescu, que atuou como árbitro internacional por 74 vezes pela Romênia ao longo de 12 anos de uma longa e vitoriosa carreira, não só falou sobre a variedade de sistemas táticos que as equipes utilizam ​​nas competições europeias, como também destacou as tendências do futebol moderno, sempre com a intenção de ajudar a melhorar os árbitros. "Estou seguro que conhecer as equipes ajudará muito árbitros", disse.

O chefe dos oficiais técnicos da UEFA destacou a necessidade de árbitros estarem em boa forma para fazer frente a alta qualidade técnica, ritmo de jogo, e as transições e os contra-ataques que caracterizam o futebol moderno."Todas as equipes usam rápidos contra-ataques e de fato há equipes que baseiam todo seu ataque e contra-ataque em jogadas de bola parada".

A corrida individual, dois ou três passes rápidos para frente e os passes longos,  são algumas das armas mais usadas para vencer as defesas e Lupescu apoia seu discurso citando que durante a Copa do Mundo no Brasil, 34 dos 171 gols marcados, 20% do total, veio depois de contra-ataques e transições rápidas.

Outra tendência identificada por Lupescu é que as equipes usem muito o ''passe da morte", um passe desde as proximidades da  linha de meta, para trás, buscando um companheiro de equipe para ter a oportunidade perfeita de marcar. "Na UEFA Champions League, gols marcados depois de um passe para trás quase dobraram, saindo de 15 gols marcados na temporada 2009/10, para  28 gols  em 2010/11 e voltou a aumentar na temporada 2012/13. No final da fase grupos este ano, 20 gols já foram marcados desta forma", disse.

O jogo pelas laterais também se desenvolveu muito nos últimos anos, com a observação de que  no passado era jogado com dois jogadores nas extremidades, porém atualmente muitas equipes não jogam apenas com esses dois extremas, mas também com dois velocistas (alas) dispostos a se juntar aos atacantes.

Os árbitros  agora estão sendo ajudados nas grandes competições da UEFA por árbitros assistentes adicionais quanto à situações de jogo ocorridas dentro da área penal, algo que Lucescu considera de grande importância nas jogadas de bola parada, que geram muitos gols, como no tiros livres e nos tiros de canto. "Desde 2003/04, 24% dos gols na UEFA Champions League  foram marcados em jogadas de bola parada. Após três anos consecutivos de queda, o número aumentou para 26% na temporada passada ... E 27% de todos os gols até agora na temporada de 2014/15 vieram de lances de bola parada. "

Também ressaltou a importância dos últimos 15 minutos do jogo. A investigação da UEFA Champions League e das seis melhores ligas europeias nos  seis últimos  campeonatos europeus, mostrou que 23% dos gols foram marcados depois do minuto 75. "Os motivos variam. O cansaço, erros, alterações táticas, o marcador e as expectativas mudam ... Há um aspecto mental de cansaço, por exemplo, e os árbitros também devem levar em consideração este aspecto para suas próprias ações ", disse Lupescu.

Finalmente, Lupescu encerrou uma brilhante apresentação para discutir o papel do goleiro."Atualmente, os goleiros são treinados e evoluíram de forma diferente. O goleiro moderno atua como um jogador de linha e deve ser hábil com os pés para jogar sob pressão, ler o jogo e ser capaz de intervir fora da área penal nos contra-ataques. "

Fonte: UEFA

Nota

A argumentação é rica e incontestável. Árbitros  modernos precisarão buscar a maior quantidade possível de informações para que possam desempenhar seu  mister sem surpresas. Mas para isso é necessário que o futebol brasileiro se modernize também nesse aspecto, criando mecanismos para auxiliar o árbitro nessa leitura do jogo e das equipes. Os árbitros não tem formação como técnicos de futebol e pouco entendem de tática. No  máximo conseguem receber informações pontuais antes do jogo referente a um ou outro atleta.  É  muito pouco.  Os delegados de arbitragem e/ou instrutores precisam maior contato com técnicos de futebol contratados pela CBF e Federações Estaduais, com formação adequada, para que repassem seus conhecimentos e ensinem os árbitros a lerem o jogo de futebol. E com um agravante. A partir desse ano o árbitro assistente adicional passou a ser a ararinha azul do futebol brasileiro, espécie em extinção com muita gente tentando salvá-la. Mas sobre o tema  dedicaremos um post específico nos próximos dias.

Domingo tem ATLETIBA. Muita embora exista uma rivalidade histórica, a colocação das equipes na tábua de classificação faz crer que uma derrota não acarretará em grandes ameaças na sequencia do certame, somado a pouca importância que tem sido dado a esse confronto quando se trata de competição estadual. Portanto, não vejo qualquer óbice para a Comissão de Arbitragem indicar para o sorteio novos nomes que ainda não debutaram nesse jogo tão tradicional. É assim que se forja grandes árbitros, submetendo-os a novas experiências e saindo um pouco da zona de conforto. Pensei em citar nomes mas preferi  não fazê-lo. Talvez acabaria por prejudicá-los involuntariamente.   No Brasil tudo é interpretado politicamente. E política na arbitragem é sinônimo de fracasso.